04/06/2013

Lilith

De acordo com a lenda hebraica, Lilith teria sido formada assim como o homem à partir do barro, logo após a formação deste. Por esse motivo ela não teria aceitado uma posição inferior em relação ao homem, pois sendo criada da mesma forma, exigia os mesmos direitos, não aceitou uma posição submissa e assim desentendeu-se com Adão. No primeiro ato sexual Lilith não aceitou ficar por baixo, agüentando o peso do corpo do companheiro e exigiu ter também o direito ao gozo e ao prazer sexual. Como não foi atendida em seus anseios ela se revolta e pronuncia o nome "inefável" que lhe deu asas por meio das quais fugiu do Jardim do Éden. Assim Lilith abandonou Adão com quem não se entendia e foi para as margens do Mar Vermelho. Adão ficou só e reclamando, tendo medo da escuridão opressora. Daí haver uma relação entre Lilith e a Lua Negra, a escuridão da noite, por isso a associação dela com a coruja, o pássaro noturno. Segundo a tradição talmúdica, Lilith é a "Rainha do Mal", a "Mãe dos Demônios" e a "Lua Negra".

Deus vendo o desespero de Adão enviou três anjos, Semangelaf, Sanvi e Sansanvi, para trazê-la de volta ao Éden, mas ela recusou-se a aceitar tal proposta. Dessa forma a fuga converteu-se em expulsão.

Para substituir Lilith é criada Eva, mulher submissa, feita não de barro, mas de uma costela de Adão.

Lá às margens do Mar Vermelho habitavam os demônios e espíritos malignos, segundo a tradição hebraica, esse era um lugar maldito, o que prova que Lilith se afirmou como um demônio. Segundo essa mesma tradição é esse caráter demoníaco que levaria a mulher a contrariar o homem e a questionar seu poder".

04/05/2013

A ORIGEM DA OBRA DE ARTE
Martin  Heidegger

Antes de tudo, é necessário  evitar todas as teorias filosóficas e interpretações comuns que pretendem atingir  o ser do instrumento, pois, na verdade, elas apenas o escamoteiam. O caminho mais seguro é, sem dúvida, o da simples descrição... Tentemos descrever  um ser-instrumento bem simples: um par de sapatos de um camponês.
Olhemos para o conhecido quadro de Van Gogh, que pintou várias vezes esses sapatos, por meio de esparsos e decididos golpes de pincel. Mas o que existe de especial a ser visto no quadro? Aí estão os sapatos, sejam eles de que tipo forem, com as solas e a pala de couro, percorridas pelas costuras  e os pregos. Seu material e sua forma  variam de acordo com sua finalidade: trabalhar, dançar. etc... Tudo isto apenas reforça o que ja sabemos: o ser do instrumento, enquanto tal, consiste em  servir para alguma coisa. Mas será esta a realidade essencial do instrumento? Não demos explorá-la melhor?  A  camponesa usa seus sapatos na terra lavrada, pois é aí que os sapatos são o que realente são. Quanto menos atenção a camponesa dedica a eles em seu trabalho, mais eles se prestam ao serviço de alguma coisa, mais correspondem ao seu ser. [...] Trata-se  de uma par de sapatos de camponês, e nada mais. No entanto,  não é só isto...
Observemos as sombras  de aberura de seu interior ja gasto, onde se esboça a fadiga do andar laborioso, e eis que percebemos  os passos rudes, pesados e fatigados do camponês que, sob um vento avassalador, imprime, com sua marcha lenta, grandes e monótonos sulcos na terra lavrada... No couro engordurado pela terra fértil e negra e nas duas solas imóveis, desliza a solidão dos vastos espaços das tardes do campo. No par de sapatos, eclode o secreto apelo da Terra, o cuidado pelo pão de cada dia na promessa do trigo, as auroras glaciais, as tardes enigmáticas à espreita do inverno. Através desse instrumento, o camponês experimenta o exercício pela sobrevivência, a doce espera do filho que retorna à casa, a alegria de sentir a vida, o cuidado de temer a morte.
É provável, entretanto, que só possamos entender o ser do instrumento porque ele está sendo observado no quadro. A camponesa, ao contrário, ao desatar os laços dos seus sapatos, em meio à fadiga do crepúsculo, para voltar a usá-lo quando vem a aurora, não pensa em sua utilidade: usa o par de sapatos, simplesmente porque neles confia, e nada mais. Se, portanto, a instrumentabilidade do instrumento reside em sua utilidade, esta, por sua vez, repousa na plenitude de um ser mais essencial do instrumento. Nós o nomeamos "ser de confiança" [...] Por confiar no instrumento, a camponesa pode sentir que a Terra se faz cada vez mais familiar, o mundo cada vez mais seu.
Chegamos à essencia do instrumento. Mas não a descrobrimos descrevendo um par de sapatos de camponês que existe na realidade, explicando de que forma foi fabricado, ou ainda examinando sua utilidade. Descobrimos a essência do instrumento servindo-nos da comtemplação de uma obra de Van Gogh. Esta se expressou. Colocamo-nos em sua presença e repentinamente deslocamo-nos para outra dimensão: a obra de arte nos revelou toda a realidade do par de sapatos... (Heidegger, 1986, pp. 204-207)  

26/04/2013

A criação musical em Ludwig van Bethoven

"Perguntais-me de onde vêm as ideias. Não posso responder com precisão. Vêm sem terem sido chamadas, de uma maneira imediata ou não. Poderia tomá-las entre as mãos, na livre natureza, quando me perco na floresta, no silêncio da noite ou numa bela manhã, sob a excitação dos estímulos que, no poeta, se experimenta em palavras e, em mim, se convertem em sons, retinam, sussurram, tumultuam, até por fim se fixarem em notas, na minha frente. Essa ideias, guardo-as comigo por muito, muito tempo, antes de as lançar ao papel. Por muito tempo modifico, rejeito, experimento, até me sentir satisfeito. Começa então no meu cérebro o verdadeiro trabalho artesanal, nas generalidades e nos pormenores, na superfície e em profundidade. E, como tenho consciência do que quero, nunca a ideia que lá no fundo germina me abandona: sobe, cresce, irrompe. Como num molde, ouço e vejo o quadro em toda a sua extensão, a obra perfila-se no meu espírito. Só me resta então transcrevê-la, que pouco demora. E, assim, me acontece ter entre as mãos vários trabalhos ao mesmo tempo (...)".


Citado por Romain Rolland. Extraído de Joel Serrão, Introdução ao filosofar.

O guardador de rebanhos

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência, não pensar...

Fernando Pessoa

21/04/2013

Vídeo Aula

Vídeo aulas de Introdução à Fenomenologia



Videos realizados pelo Professor Nichan Dichtchekenian, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)